domingo, 21 de outubro de 2012

Deixe seus preconceitos de lado...

...assim descobrirá uma imensidão de coisas para se viver.   ;)

Quando ainda somos pequenos, (refiro-me a um período em que adotamos algo como modelo de vida e julgamos o restante como o modelo errado, ou seja, a aborrecência) querendo ou não, ficamos dotados de certos preconceitos que muitas vezes fizeram-nos perder momentos que poderiam ser lembrados pelo resto de nossas vidas, como histórias contadas por pessoas desconhecidas, passeio com alguém que julgava careta, e assim por diante. A questão é que seria exatamente desses encontros que talvez poderiam ter saído suas histórias mais legais, mas por simples capricho, ou ignorância mesmo, você deixou de vivê-los. Digo isso porque já passei por essas situações, as quais se pudesse voltar atrás teria a certeza de que delas sairiam algo bom, proveitoso.
Mas não estou aqui para falar exatamente sobre isso, queria apenas fazer uma prévia para contar a vocês um pouco da minha viagem de volta para Brasília, e digo viagem porque vim de ônibus, caso contrário, seria um pulo, pois de Mara Rosa até aqui são 320 quilômetros (eu acho perto =P), o que dobra quando se fala em bus.
Bem, ao longo da viagem vim conversando com um homem que adorava contar casos. Aí já sabem né, eu apenas concordava com a cabeça e o resto era ele quem comandava, e como gosto muito de escutar tais histórias, não me importei nem um pouco com isso. Ele começou falando sobre sua juventude, de como era legal estar com seus amigos e aprontar com eles. Vou tentar incorporar uma personagem aqui e reproduzir o que ele disse. .-.

" Era bom demais o tempo que eu ainda era moleque de tudo, que a gente inventava algo para ganhar uma grana extra. Uma vez, quando trabalhávamos para uma firma, resolvemos dar uma de videntes, e sobrou pra eu ser o vidente da história. Olha só o que fazíamos: um amigo nosso saía com as mulheres da redondeza, paquerava elas e daí descobria tudo sobre suas vidas. Então ele chegava em casa e contava tudo para mim, depois se encontrava com as mulheres em uma nova oportunidade e dizia: nossa, lá na firma tem um cara que é bom demais como vidente, sabe tudo do seu passado e ainda lhe dá conselhos para seguir em frente, porque sabe tudo o que irá acontecer contigo também. Ah menina, aí era batata! A fulana chegava lá, eu falava pra ela tudo o que meu amigo tinha dito e contava algumas mentirinhas sobre seu futuro. E com essa brincadeira deu para arrecadarmos um dinheirinho até bom. Teve uma vez que tiramos mil e duzentos só de uma mulher. Mas você sabe né, isso era coisa da juventude, hoje em dia eu sou evangélico e não faço nada dessas coisas."

" Teve a vez em que fomos pra casa de um conhecido nosso, e justamente nessa casa morava uma velhinha que eu nunca tinha dado certo com ela. Era emburrecida demais, não gostava que a gente fizesse nada do que queríamos, e tudo pra ela estava ruim. Até aí estava tudo certo, mas não é de ver que a tal da velha resolve morrer bem no dia em que eu tinha ido pra lá!?! Ah, mas pra quê?! Quando resolvo ir embora, isso já entardecendo, o neto dela diz que eu ia encontrá-la bem numa virada que tinha no caminho, que veria seu caixão perto de uma árvore, porque nunca tinha gostado dela mesmo, e por isso ela aproveitaria para se vingar de mim bem nessa noite. Menina do céu, quando estava chegando na tal da virada minhas pernas começaram a tremer, comecei a suar, e para mim, eu tinha mesmo visto o caixão da velha bem debaixo da árvore. Mesmo sabendo que estava tendo aquelas visões somente por causa do medo, voltei pra casa dele na hora, não ia conseguir passar sozinho por ali nunca! O resultado disso tudo foi que passei a noite toda acordado e só no outro dia voltei pra casa. Meus amigos ficavam rindo da minha cara o tempo todo, dizendo que tinha medo de gente morta, que era um mais medroso do que tudo."

" Uma vez fui passar uns dias na casa de um velho que se achava muito esperto, só que ele estava doente. Então começou a dizer que estava com muita vontade de comer uma sopa, que era pra eu fazer essa sopa o mais rápido possível, disse também que queria só se fosse sopa de galinha. Pois bem, sabe o que eu fiz? Matei o único galo que ele tinha além de escolher entre tantas galinhas que tinha na fazenda. Preparei a sopa, ele agradou e comeu foi muito. Depois quando estava melhor foi olhar suas criações e deu falta do galo. Ficava gritando por conta desse galo, reclamando sua falta e tudo mais. Só que aí já era tarde, né... Eu já tinha ido embora, e galo ido pra panela há muito tempo."

Eu não queria saber se agora ele é evangélico, disso pouco me importava, nem ao menos como ele estava vivendo agora. Adorei mesmo foi ter escutado um pouco de seu passado, sobre como ele tinha sido louco, feliz. Mas o que eu achei mais interessante de tudo isso foi quando uma mulher surda entrou no ônibus na rodoviária de Uruaçu vendendo canetas e ele além de pagar somente a sua, disse que era para eu ficar com a caneta também. Depois que ela saiu ele me informou que sempre quando passa por ali a ajuda comprando suas canetas. Talvez isso não sirva para acrescentar nada na vida de ninguém, mas para mim, naquele instante, estava sendo bastante legal ouvir sobre suas aventuras e ver que ainda existem pessoas legais, que acima de tudo são humildes e ajudam o próximo sem nada querer em troca disso. Assim, deixo registrado aqui que muitas coisas boas podem deixar de fazer parte da nossa história quando passamos a ver os outros com muita indiferença. Deixe de lado isso que te impedem de escutar outra pessoa, que te faz não olhar para o lado e cumprimentar alguém que lhe deseja um bom dia, seja mais humano.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Seria mesmo real?


A rua estava interditada, lotada, com pessoas de todas as crenças, de todos os gostos e atitudes. 
Eu estava feliz, mas era uma felicidade tão intensa que até mesmo me senti encorajada a dizer seu nome logo quando o avistei e reconheci. 
Não havia medo, nem mesmo vergonha de acenar para você quando virou-se e me viu.
 Não sabia se iria recordar-se de mim, mas tinha a certeza de que estaria satisfeita, pois havia visto o seu olhar novamente. 
Você, sem dizer nada, ficou me olhando, e sem muito desespero ou coisa parecida, eu resolvi seguir em frente, continuar vivendo esses momentos felizes que tal dia me proporcionava. 
Mas logo resolvi sentar, queria descansar um pouco. E nesse momento notei que já estava sozinho, seus amigos ou as pessoas com quem andava não mais te acompanhavam. 
Foi aí que relembrei das suas frases de solidão, dizendo com elas que por mais que alguma pessoa tivesse alguém para o acompanhar por vários momentos de sua vida, no final ela também ficaria sem ninguém. 
Quando olhei novamente, você já estava aproximando, e ao contrário de começar a suar as mãos e ficar completamente nervosa, eu estava bastante despreocupada com tudo o que poderia acontecer. 
Sentou-se então ao meu lado e começou a dizer tudo aquilo que um dia eu esperava que dissesse. 

Não consigo descrever até hoje o que sentia naquele momento, não sabia se era um sonho ou se aquele sonho de fato era real, só sabia que sendo sonho ou não, eu vivia os momentos mais felizes da minha vida e me sentia satisfeita por ter esperado tanto tempo e no final não ter me decepcionado. 

Na manhã seguinte, quando acordei, percebi que realmente tinha vivido tudo o que esperava, só que em outra dimensão.



quinta-feira, 6 de setembro de 2012

A semelhança se encontra exatamente nas maiores diferenças

Me vejo sozinha. Me encontro lendo um livro que por sinal parece ser o melhor de todos que já li. Logo posso perceber que lá fora algum ser anseia pela presença de outro ser que talvez o completaria nesse determinado instante, e após sua ausência, sem ter encontrado alguém para alentar-se, percebo novos seres habitando o mesmo local. Trocam míseras palavras, fazem suas obrigações, algumas em conjunto, mas logo entram e se dispersam dos meus sentidos. Apesar da individualidade notada pareciam se completar, por mais incompleto que isso pudesse parecer. Passado alguns instantes, eis que surge uma garotinha vestida de vermelho, a qual ousava mencionar para as pessoas que a acompanhava: "Quando eu me casar (hesita), ou melhor, se eu me casar vou querer um buquê de rosas bem grande e bonito!" E assim, percebo que entre tantas diferenças existia algo em comum entre mim e essas pessoas: estávamos todas sozinhas.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Mudanças

A minha vida girou. E penso que se não foi um giro de 360º foi de pelo menos 260º. Eu nunca, mas nunca mesmo, tinha me imagino como agora estou. Após ter chegado em Brasília tudo começou a mudar. E foi a partir desse momento que eu percebi que não apenas os meus ares tinham como obrigação essa mudança, mas eu também.
Hoje já consigo perceber o quanto deixei para trás aquilo que nada me servia, e no lugar disso tudo comecei a plantar esperança, desejos e outras coisas que agora passo a ter certeza de que um dia elas me servirão, e como!
Mudei meus planos, segui outros caminhos e talvez tenham avançado um pouco mais do que esperava.

Numa tarde, que estava passando na casa de uma prima, vejo que as inscrições para o Prouni estavam abertas, e assim decido ver quais cursos, faculdades e algo mais que estava disponibilizado para os milhões de estudantes que fizeram o enem e se interessavam por uma bolsa ofertada. Então, como se não bastasse apenas ver, decido me inscrever, mesmo não tendo decidido qual curso queria. Coloquei enfermagem como primeira opção e depois biologia. Após ter feito isso, parei e pensei: ah, acho que as chances de passar são mínimas, então tá de boa!
Só que isso ficou mais de boa ainda quando abri a página do prouni e vi que tinha passado na primeira opção. O que eu faria agora? Fiquei totalmente confusa, pensava em estudar mais ou esperar mais pra conseguir discernir o que de fato queria, pensava se essa era uma área que iria atuar com prazer ou com frustração... Sei que enquanto pensava já tinha feito todo o processo para garantir a tal vaga, e hoje já estou lá, tentando ver se isso tem algo relacionado com o que me identifico, com o que gosto de fazer.
Estou na enfermagem porque antes de concluir o terceiro ano tinha botado na cabeça que queria fazer medicina, pois essa profissão abriga de tudo um pouco daquilo que queria.
Pois bem, desde criança eu sempre tinha em mente que seria professora. Cheguei ao ponto de fazer meu pai comprar para mim um quadro enorme, caixa de giz, apagador e tudo mais. Nossa, quando recebi esse presente era como se um sonho tivesse se tornado realidade. Ao meu ver, eu já era um profissional, e acima de tudo tinha uma grande quantidade de turmas para iniciar meu trabalho. Tudo bem que eu fazia o papel de todos os alunos, mas isso para mim era irrelevante. =B Queria mesmo era dar aula, passar aquilo que tinha aprendido com uma professora real para meus queridos invisíveis, ou até mesmo acrescentar certas coisas que uma professora não dava tamanha importância e eu achava que ela deveria ter dado.
Assim fui alimentando isso em minha consciência, até meu inconsciente transmitir uma pequena informação que acabaria com meu sonho: no lugar onde mora essa profissão não tem valor nenhum! você apenas irá se maltratar em função de outras pessoas que raramente estarão interessadas naquilo que sabe e quer passar adiante, pense bem. Isso e mais uma pilha de situações foram o bastante para não seguir, para me encontrar em qualquer profissão, menos naquela que iria dar aprendizado aos seres humanos. Foi aí que parei no tempo. Não sabia o que queria fazer da minha vida, só que se nada fizesse, outros fariam algo por mim, e achava que se isso fosse feito não seria nada agradável. Observava minhas colegas decidas, fazendo planos e tudo mais... e eu lá, pensando, pensando e pensando: e eu, o que vou fazer da vida? .-.
Concluí então que mais que atuar em uma só área, eu queria estar trabalhando em várias. Me descobri fazendo psicologia, história, jornalismo, medicina, letras, artes cênicas, biologia e até mesmo medicina veterinária. Só não me via fazendo algo na área de exatas, porque o meu intuito sempre foi focado no ser humano, na vida, apesar de que a matemática em si, assim como todas as outras áreas, também está ligada direta ou indiretamente ao ser humano.
Foi assim que ao chegar o terceiro ano decidi que iria fazer medicina, pois tinha visto nela uma extrema ligação com tudo o que já tinha pensado. (Aaah, querida, conta outra! Todo mundo quer fazer medicina por causa do salário no fim do mês) Mas eu não. É hipocrisia dizer que uma pessoa não quer ganhar dinheiro naquilo que ela exerce, mas seria mais hipocrisia ainda se eu lhe dissesse que a primeira coisa que me veio em mente foi o fato de poder ser rica com isso. Uma que o curso de medicina não é e nunca foi uma profissão valorizada assim como deveria ser aqui no Brasil, e outra que se uma pessoa faz esse curso pensando apenas nesse fator, é certo que ele colocará não apenas sua vida em risco, mas a de uma enorme quantidade de pessoas. E isso hoje em dia não é nem um pouco difícil de ser visto, caso contrário, o Lula, a Dilma e o Gianecchini não estariam recorrendo para um Sírio-Libanês da vida.
Enfim, porque consegui a bolsa e por ser um curso que me vejo relacionada com umas das áreas que gosto, estou lá, tentando descobrir se é isso mesmo que quero. O negócio é que minha cabeça é tão louca que penso ainda em desistir de tudo, caso veja que isso não é para mim e ir fazer um curso que tenha mais relação com a sociedade, educação ou outras questões que também me interessam bastante.

P.s.: passei por aqui para dar uma satisfação a mim mesma, porque a essa altura do campeonato, nem o comando que salva as postagens no blog deve estar lembrando que existo. Hauahua

Bye! See you leter!

terça-feira, 19 de junho de 2012

Adeus, vó Joana. =/

Hoje pela manhã fiquei sabendo que minha avozinha morreu. =( Sei que ela já estava bem velhinha, e as doenças estavam se complicando, fazendo com que ela sofresse cada vez mais. O melhor para ela seria descansar mesmo.
Sentirei sua falta. Sua afinidade comigo era tão grande que nunca esquecerei o quanto era bom conversar contigo e saber como tinha sido seu passado, com as histórias mais bem contadas que alguém já pode me dizer. Fica aqui um post dedicado a você, vó Joana! Descanse em paz.